sexta-feira, 27 de março de 2009

A Profecia do Berço da Criação



"O Berço é uma cesta de madeira especialmente adaptada para carregar bebês e utilizada em quase todas as tradições tribais da América Nativa. A base e os lados dos berços são feitos de madeira para que o corpinho da criança fique firmemente apoiado. O lado de dentro é acolchoado com folhas de salva e depois coberto com pele de coelho.


As fraldas do bebê eram feitas de pele de coelho e recheadas de folhas de salva ou verbasco, que serviam para absorver a umidade. A cobertura externa do berço é feita com pele macia de Cervo, que é entrelaçada na frente, de uma forma que deixa a criança bem segura dentro do berço, mas que permite retirá-la facilmente para trocar a fralda ou alimentá-la.


A touca ou o capuz protege os olhos do bebê da luz forte e da chuva, durante as viagens ou mudanças de acampamento. O berço tem a responsabilidade de proteger o corpo da criança de qualquer dano eventual em todas as situações. Se o berço cair da esteira que é puxada pelo pônei nas mudanças de acampamento, a criança não se machucará, porque a moldura grossa de madeira e a touca sobre a sua cabeça criam uma espécie de armadura.


Para os nativos, o conceito tradicional do sentido de responsabilidade equivale a ter " capacidade de reagir"; por isto, achamos que o berço possui todas as características necessárias que representam esta qualidade. Os nativos americanos, particularmente os das planícies, eram um povo nômade, que se ajustava e reagia às situações da vida de forma natural. Era perfeitamente natural acompanhar os rebanhos, assim como as mudanças de estação.


Porém as crianças que ainda não tinham idade para caminhar sozinhas tinham que ser carregadas. Assim, o berço tornou-se indispensável para ajudar nas tarefas das jovens mães, que precisavam, também, atender a outras tarefas da vida do acampamento. O Bebê poderia ser colocado num berço, que era pendurado do lado de fora da tenda. Enquanto a criança dormia, sua mãe preparava os bolos de carne e frutas secas que eram utilizados nas viagens, ou então acendia a foqueira para cozinhar, tingia abrigos e costurava mocassins.


Quando ocorriam as mudanças de acampamento, o berço podia ser amarrado do lado de cima das esteiras puxadas pelo pônei, entre os mantos de búfalo e outros objetos da tribo. Mas, na maior parte das vezes, a mãe amarrava o berço às suas costas, enquanto andava pelo acampamento. O berço detém, tradicionalmente, o dever e a responsabilidade de proteger as crianças, porém o símbolo do berço consegue ser muito mais abrangente.


Os nativos americanos aprendem que o seu propósito na vida é evoluir, crescer em entendimento e viver em harmonia. Nós sabemos que todas as coisas estão contidas na Roda da Vida e que continuarão a se manifestar pelas três faces do destino: o passado, o presente e o futuro. Nossa habilidade em reagir ao passado corresponde a honrar as tradições dos nossos ancestrais, sua sabedoria, e os objetos sagrados de cura, que tem protegido e guiado nosso caminho. É sempre com muita alegria que transmitimos estes sistemas de conhecimento aos nossos filhos.


Nossa habilidade em reagir ao presente consiste em encontrar a beleza em cada momento do dia, usando nossos dons, talentos e capacidades para incrementar o bem comum. Trilhando nosso caminho suavemente sobre a mãe terra, honrando o espaço sagrado presentes em todas as formas de vida, conservando o brilho nos olhos e a alegria em nossos corações, aprendemos a demonstrar gratidão em cada benção que a vida nos concede.


A habilidade de reagir ao futuro consiste em compreender o presente. Nós acreditamos que a sobrevivência e o bem-estar das próximas sete gerações dependem de cada pensamento que emitimos e de cada ação que manifestamos no aqui e agora. Por isto, sosmos constantemente lembrados de nossa responsabilidade como guardiões do berço para as futuras gerações. Toda pessoa que se vê caminhando hoje pela boa estrada vermelha da vida física é um guardião do berço de amanhã.


Nós somos o exemplo vivo para todas aquelas crianças que viverão em nosso mundo depois de termos partido. Elas aprendem conosco a preservar a mãe terra e os sistemas de conhecimento que lhes permitirão tornar-se guardiãs eficazes de todos nossos recursos. Se as florestas tropicais acabarem, se não houver mais água pura, se o ar estiver fétido e não for mais respirável, se a mãe terra não conseguir mais produzir alimentos, teremos falhado em nossa responsabilidade de carregar o berço dentro de nossos corações.


Se não conseguirmos passar para as futuras gerações o conhecimento que as habilite a reconhecer as plantas que curam, a plantar o milho e a viver em harmonia com todos os nossos parentes, teremos falhado e teremos destruído a rica herança que aqueles anciões, que caminharam na boa estrada vermelha antes nós, nos deixaram. Na época em que eu convivi com as duas avós Kiowa, no méxico, foi-me transmitida grande parte da profecia do berço da criação.


Eu gostaria de compartilhar estas profecias, porque las nos ajudarão a olhar o futuro com esperança, ao invés de encará-lo com desânimo e tristeza. Nossa mãe terra nunca destruíu todos os filhos da terra em qualquer dos quatro mundos anteriores, e também não é desta vez que fará isto. Aprendi que, ao final de cada mundo, a circunferência da terra expandiu-se, criando novas massas de terra e eliminando outras. A cada vez aqueles dentre seus filhos mais leias, que conseguiam ler os sinais que lhe eram enviados, encontravam lugares seguros para viver.



Alguns eram encaminhados a túneis subterrâneos, que se localizavam logo abaixo da superfície. A raça que foi para baixo da superfície é chamada de os subterrâneos pelo clã do lobo dos nativos Seneca. A profecia do berço fala do nascimento de milhares de Guerreiros do Arco-Íris, de ambos os sexos, que verão se manifestar o sonho do quinto mundo de paz. Estamos vivendo este processo agora, nesta era que as avós denominavam de Tempo do Búfalo Branco. Esta é a época na qual os ensinamentos estão sendo transmitidos a todos aqueles que tem ouvidos e olhos para ver.


A profecia declara que esses Guerreiros do Arco-Íris se recordarão de sua herança e a utilizarão para o bem de todos os filhos da terra. O chefe Duas Árvores, da tribo Cherokee, ensinou-nos que estas pessoas podem ser brancas por fora mas são, na realidade, vermelhas por dentro. Eu sinto que os novos Guerreiros do Arco-Íris são os Guardiães de nossa mãe terra e representam os nossos ancestrais vermelhos que estão retornando para ajudar a todos os nossos parentes.


A profecia do berço da criação também diz que o fogo virá do céu e atingirá a mãe terra no berço aquático da criação, ou seja, nos oceanos. Este objeto em forma de cometa virá para fertilizar o óvulo da terra e para recriar a pureza de todos os seus quatros clãs. Os chefes do Ar, da Terra, da Água e do Fogo voltarão a reintegrar-se. A condensação proporcionada por esta interação do Fogo e da Água nos devolverá o nosso ozônio. Estas profecias devem ser cumpridas em algum momento dentro de uma faixa de tempo que vai dos nossos dias ao ano de 2015.


Muitas pessoas que se desligaram da mãe terra e não sabem mais como plantar o seu próprio alimento precisarão aprender a fazê-lo. As pessoas que não conhecem o valor curativo das plantas passarão a depender de outras que já reconhecem este valor.A capacidade de reagir às mudanças que estão para acontecer está baseada no entendimento do berço, e está calcada na capacidade pessoal de partilhar e de servir.


Este é o momento de iniciar o processo de aprendizado que nos permitirá voltar a aprender as pródigas lições que a mãe terra propicia, para que as futuras gerações possam receber os sistemas de conhecimento necessários a uma vida harmoniosa. Muitos animais e muitas plantas dos tempos antigos voltarão a aparecer em nosso mundo, porque precisarão voltar a interagir com os seres humanos. Algumas destas plantas serão utilizadas para a cura e outras para fornecer alimentos.


Voltaremos a entender a linguagem das criaturas e permitiremos que o seu instinto e a sua sabedoria nos ensinem a preencher as nossas necessidades. O berço se tornará o símbolo de nossa primeira forma de encarar a vida, e nós todos formaremos uma grande comunidade mundial. Formas de comunicação harmônicas prevalecerão pelos próximos mil anos de paz; depois disto, a mãe terra se transformará num segundo sol, ou numa estrela de nosso sistema solar.


Nós continuaremos vivendo em sua superfície, mas não ficaremos queimados, porque teremos adquirido corpos imortais de fogo. As raças procedentes das estrelas virão até aqui para ajudar os filhos da terra a reencontrar o equilibrio ecológico, e alguns filhos da terra irão com elas para aprender estes sistemas de conhecimentos, que são muito antigos mas serão novos para nós. Aqueles que não forem capazes de aceitar o novo berço da criação serão removidos para o corpo-duplo da mãe terra, um local que abrigará a memória deste seu corpo tão explorado e tão marcado pelos abusos. O Tempo do Búfalo Branco verá acontecer muitas maravilhas, já que os governos não controlarão mais as ações dos filhos da terra e a união entre os povos voltará a ser fortalecida.


Quando colocarmos o Berço em nossas costas, ele transportará o filho de nossos futuros sonhos, que está começando a se manifestar agora, através de nosso amor. O Berço serve como lembrete. Nós só podemos proteger o Futuro reagindo ao Agora, ou seja, o Presente."


Texto extraído do livro:" As Cartas do Caminho Sagrado" - Jamie Sams.






segunda-feira, 9 de março de 2009

Uma Só Flexa

" A estrada à minha frente
É longa e estreita.
Só me restou uma flexa,
E meu velho cavalo
Mal se aguenta em pé.
Mas se for preciso
Voltar ao combate
Arreio o cavalo,
Subo à sela,
Corajoso Cavaleiro:
É hora de enfrentar
Minha última Batalha !
É hora de escalar
Montanhas escarpadas,
Buscando alcançar
Meus próprios limites.
É hora de nadar
Contra a corrente
Dos rios caudalosos
Que rugem minha alma.
É hora de enfrentar
Arenosos desertos,
Em busca do oásis
De paz e de calma.
Mas a estrada à minha frente
Ainda é longa e estreita.
Só me restou uma flexa,
E meu velho cavalo
Mal se aguenta em pé.
Mas se for preciso
Voltar ao combate,
Arreio o cavalo,
Subo à sela,
Corajoso cavaleiro:
É hora de enfrentar
Minha última Batalha !"
Poema de John York, retirado de Jamie Sams - As Cartas do Caminho Sagrado
 
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